Vivemos tempos de mudança. Só podemos escolher uma de duas posições: ser daqueles que mudam as coisas ou estar do lado dos que são “mudados”. Eu ambiciono estar do lado dos primeiros.
Como hoje em dia o que está mal nacionaliza-se, se eu mandasse a minha primeira grande mudança era a nacionalização dos Tapetes de Bagagem do Aeroporto de Lisboa. Essas máquinas maléficas estão a destruir o nosso turismo e temos de o salvar. Seria uma das medidas mais importantes para o futuro de Portugal. Estamos a falar de um sector de actividade com muito peso na nossa economia. Representa mais de 10% do PIB em termos de receita directa e dele dependem muitas outras actividades. Temos de fazer alguma coisa.
Andei a fazer algumas pesquisas e cheguei à seguinte conclusão: acontecem cerca de 14,8 irregularidades por cada mil bagagens. Não é mau. Mas onde estão as estatísticas sobre o tempo médio de espera? Aquele tempo que estamos todos ali especados à volta do tapete, primeiro à espera que ele comece a andar e depois a rezar para que as nossas malas apareçam. As estatísticas gerais não conheço mas as minhas irritam-me e fazem-me temer pelo futuro do meu país. Ou eu tenho muito azar, ou raramente apanho menos de 1 hora de espera. Não sei se já o disse antes mas isto irrita-me.
Pode parecer um detalhe mas esse momento de contacto com Portugal é aquilo que podemos chamar, em linguagem técnica de marketing ,um Momento de Verdade. São os Momentos de Verdade que marcam as relações entre consumidores e marcas. Tal como na vida real, estas relações constroem-se baseadas na forma como esse momentos são vividos em conjunto. Uma imperial mal tirada pode destruir a percepção de uma marca de cerveja, assim como um homem que se esqueça, com frequência, da roupa suja em cima da cama pode acabar a viver sozinho. O que será que pensam os turistas sobre Portugal durante aquele tempo ali à espera da mala? Coisas boas não serão com certeza, e poucas também não pois tempo para pensar e divagar não lhes falta.
Bom, chega de falar do problema porque acho que todos nós o conhecemos bem. Vamos à solução. Temos de resolver este assunto antes que os Tapetes de Bagagens dêem cabo da marca Portugal. Avancemos para a nacionalização já. O Banco de Portugal devia nomear um Administrador para cada Tapete de Bagagem e fiscalizar, com o rigor que nos tem habituado, todos os processos inerentes ao serviço em causa. Mas é importante ir mais além. Não basta reduzir o tempo de espera. É preciso surpreender as pessoas. Assim sugiro uma parceria com estilistas portugueses que, enquanto as malas não chegam, usam os tapetes para desfile das suas últimas criações.
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Nacionalização dos Tapetes de Bagagem do Aeroporto de Lisboa
Novembro 29, 2008
Uau!
Outubro 29, 2008
Royal Village Deluxe Room. Uau! Com um nome destes deve ser o quarto onde o Quaresma passa férias. Falso. Ao contrário do que estão a pensar, é o quarto mais modesto de um vulgar Resort nas Caraíbas. Logo a seguir temos o Honeymoon Royal Village Deluxe Room, o Honeymoon Royal Village Deluxe Poolview Suite e depois o Premium Honeymoon Grand Luxe Oceanview Suite. Se pensam que chegámos no topo, estão muito enganados. Apenas nomeei alguns dos quartos da gama mais baixa, nem a meio da tabela estamos. Imaginem os nomes dos quartos e suites daí para cima.
Pois é. Estamos perante um problema complicado. No início, alguém colocou a fasquia tão elevada que começa a ser difícil arranjar nomes para os melhores quartos. É como no karaoke. A mim não acontece porque não sei cantar mas há muita gente que começa num tom elevado e quando chega o crescendo não tem voz para acompanhar. Muitas vezes os marketers sofrem do mesmo problema. Mas aqui a coisa não se chama falta de voz, chama-se falta de visão estratégica.
Quando comunicamos não devemos prometer aquilo que o produto não consegue cumprir. Pior do que um mau produto é fazermos uma gestão errada de expectativas. Pior do que a baixa qualidade de um serviço é a surpresa negativa que podemos criar com uma comunicação overpromise. Sejamos honestos, claros e transparentes. As relações comerciais devem ser feitas com base na confiança. Antes de mais, as marcas têm que provar aos seus consumidores que podem confiar nelas. Essa confiança constrói-se cumprindo promessas e surpreendendo pela positiva.
Se repararam bem, também estou aqui com alguns truques para vender o meu produto. Ainda não disse o nome do quarto mais luxuoso para vos obrigar a ler o artigo até ao fim. No entanto, essa surpresa vai ter que ser revelada de imediato: o nome é tão grande que estou a ficar sem espaço para cumprir com a expectativa que acabei por criar. E a última coisa que eu quero é perder a vossa confiança.
Royal Windsor Honeymoon Deluxe Oceanfront Private Pool Premium Grand Suite. É o nome do quarto que aquele resort nas Caraíbas considera ser um pedaço de céu a apenas algumas horas de voo de distância. Aproveito para dizer que estive a ver no site e estão a fazer umas promoções fantásticas: 35% de desconto. Aproveitem.