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Nacionalização dos Tapetes de Bagagem do Aeroporto de Lisboa

Novembro 29, 2008

TapetesVivemos tempos de mudança. Só podemos escolher uma de duas posições: ser daqueles que mudam as coisas ou estar do lado dos que são “mudados”. Eu ambiciono estar do lado dos primeiros.
Como hoje em dia o que está mal nacionaliza-se, se eu mandasse a minha primeira grande mudança era a nacionalização dos Tapetes de Bagagem do Aeroporto de Lisboa. Essas máquinas maléficas estão a destruir o nosso turismo e temos de o salvar. Seria uma das medidas mais importantes para o futuro de Portugal. Estamos a falar de um sector de actividade com muito peso na nossa economia. Representa mais de 10% do PIB em termos de receita directa e dele dependem muitas outras actividades. Temos de fazer alguma coisa.
Andei a fazer algumas pesquisas e cheguei à seguinte conclusão: acontecem  cerca de 14,8 irregularidades por cada mil bagagens. Não é mau. Mas onde estão as estatísticas sobre o tempo médio de espera? Aquele tempo que estamos todos ali especados à volta do tapete, primeiro à espera que ele comece a andar e depois a rezar para que as nossas malas apareçam. As estatísticas gerais não conheço mas as minhas irritam-me e fazem-me temer pelo futuro do meu país. Ou eu tenho muito azar, ou raramente apanho menos de 1 hora de espera. Não sei se já o disse antes mas isto irrita-me.
Pode parecer um detalhe mas esse momento de contacto com Portugal é aquilo que podemos chamar, em linguagem técnica de marketing ,um Momento de Verdade.  São os Momentos de Verdade que marcam as relações entre consumidores e marcas. Tal como na vida real, estas relações constroem-se baseadas na forma como esse momentos são vividos em conjunto. Uma imperial mal tirada pode destruir a percepção de uma marca de cerveja, assim como um homem que se esqueça, com frequência, da roupa suja em cima da cama pode acabar a viver sozinho. O que será que pensam os turistas sobre Portugal durante aquele tempo ali à espera da mala? Coisas boas não serão com certeza, e poucas também não pois tempo para pensar e divagar não lhes falta.
Bom, chega de falar do problema porque acho que todos nós o conhecemos bem. Vamos à solução. Temos de resolver este assunto antes que os Tapetes  de Bagagens dêem cabo da marca Portugal. Avancemos para a nacionalização já. O Banco de Portugal devia nomear um Administrador para cada Tapete de Bagagem e fiscalizar, com o rigor que nos tem habituado, todos os processos inerentes ao serviço em causa. Mas é importante ir mais além. Não basta reduzir o tempo de espera. É preciso surpreender as pessoas. Assim sugiro uma parceria com estilistas portugueses que, enquanto as malas não chegam, usam os tapetes para desfile das suas últimas criações.

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HBO Voyeur – O grande vencedor de Cannes Lions 2008.

Julho 22, 2008

O objectivo desta campanha é fortalecer as relações da marca HBO junto dos seus super-fãs. Estas pessoas são extremamente sofisticadas no consumo de media conjugando diversos meios na busca de informação e entretenimento. Vêem e acompanham uma série na TV mas simultaneamente, aprofundam e discutem o tema em blogs ou noutros canais. São pessoas que buscam experiências de entretenimento inovadoras e reconhecem na HBO uma marca que lhes “conta histórias” respeitando a sua inteligência. Tal como todos nós, também estes super-fãs, têm uma atracção – Voyeurismo. Toda a gente adora olhar para a vida dos outros. Este insight traduz-se no seguinte conceito: “See what people do when they think no one is Watching.”
A materialização criativa de projecto assenta no desenvolvimento de 12 histórias, que acontecem em 5 moradas e que são dadas às pessoas para observarem e “viverem”: West 41st Street, “The Artist”; East 85th Street, “The Housewife”; Prince Street, “The Meditator”; West 72nd Street, “The Mortician” e Broome & Ludlow com 8 histórias individuais – uma por apartamento.
Broome & Ludlow aparece como o ponto central deste enredo. As diversas histórias, aparentemente separadas e sobre vidas comuns, acabam por se entrelaçar e envolver assassínio, violência, romance, casamento e traição que nós, espectadores comuns, apreciamos como se estivéssemos a espreitar pela janela do vizinho.
Esta campanha tem uma enorme complexidade na forma como usa os media. Começou envolvendo os residentes de NY. Através de acções de rua onde foram distribuídos convites para o evento de lançamento. Os residentes foram convidados a comparecer num determinado local de NY numa noite do Verão de 2007 onde um prédio servia de tela a uma mega projecção que criou a ilusão que não existia uma das fachadas permitindo ver tudo o que se passava no interior. As diversas histórias desenrolavam-se em simultâneo enquanto as pessoas iam acompanhando e usando diversas pistas que estavam no convite. Fora de NY a acção usou TV, Net e Mobile Marketing para passar os conteúdos mas acima de tudo foram as pessoas o principal veículo. O efeito viral dos filmes, o tráfego do site, os Blogs e os comentários de rua mostram como cada vez mais as marcas têm que envolver os consumidores nas suas campanhas. Este projecto incorpora tudo o que demais actual tem sido feito em campanhas de comunicação bem sucedidas. A marca conta-nos histórias, entretêm-nos e acima de tudo respeita a nossa inteligência. Não nos interrompe, envolve-nos.
O resultado final em Cannes demonstra como a indústria da publicidade ambiciona mudar ao reconhecer este projecto com tantos prémios tendo sido o trabalho mais premiado nas diversas categorias.

Prémios: 2 Grand Prix em Outdoor e Promotion,
5 Golds, 1 Silver e 1 Bronze em Media, Cyber,
Design Promotion e Film.

Links úteis:
http://www.hbovoyeur.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Hbovoyeur.com
http://www.thestorygetsdeeper.com/